Não! Desta vez não foi o David. Fui eu!


Ao ler o post em que o Fábio Ventura se desculpa (e bem!) do seu inglório “deslize” na entrevista dada a um jornal local e que tanta tinta fez correr, reparo que existem comentários que revelam alguma sensatez (como é o caso dos produzidos por CatsaDiablo, Joana ou Ana C. Nunes) e outros que ainda que perpetuam o tal “deslize”, dando-lhe carácter de indiscutível verdade.

Exemplo:

d311nh4 disse…

Não te chateies com isso Fábio!
O género fantástico é de facto dirigido ao público mais jovem o que não quer dizer que seja EXCLUSIVAMENTE lido e escrito pelos mais jovens!
Concordo com o Paulo, é um género mais fácil de singrar mas não é tão fácil de escrever porque requer imaginação e não tanto experiencia de vida, daí os jovens o escreverem mais vezes!
Ignora os ataques e move on!!!!
Quero ler esse livrinho a que tanto te dedicas!=)
Beijinhos*”

O Fantástico, segundo esta jovem, é um género “dirigido ao público mais jovem“. Uma literatura infantil e/ou teenager, portanto! Será que ela tem plena noção de tudo aquilo que o Fantástico abarca? Ou vive na confortável e redutora noção que o Fantástico se reduz ao que se apelidou de “fantasia urbana”?

Daqui, a autora avança para “é um género mais fácil de singrar” e “requer imaginação e não tanto experiencia de vida, daí os jovens o escreverem mais vezes”! Fácil? Fácil seria perguntar o que representa esse “fácil”! Mas nem vou comentar esta seborreia intelectual, prova inegável de que o silêncio pode ser uma virtude quando o que temos para dizer só revela desconhecimento de causa – aquilo que vulgarmente apelidamos de ignorância. Qualquer pessoa minimamente consciente tirará as suas ilações.

Vejamos então o que se dirá sobre estas afirmações!

 

Andreia Torres

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10 respostas a Não! Desta vez não foi o David. Fui eu!

  1. Quando pensávamos que o assunto tinha deslizado para o o esquecimento… Não resistes a pôr o dedo na ferida, pois não? lol

    Bem, vou limitar-se a sentar-me e ver o circo pegar fogo mais uma vez. Ready? Now, fight!

  2. Sabes, certos “fights” não podem ser ignorados. Opiniões como esta têm denegrido o Fantástico e dado uma ideia errada do que ele é. Provavelmente vou ficar no papel de “má” e geradora de conflitos. Prefiro isso a manter-me em silêncio e a permitir que este tipo de disparates conquistem terreno! E repara que sou “apenas” leitora!

  3. Thanatos diz:

    Não entendo. Escreves que “nem vais comentar” mas não é isso precisamente o que fizeste? E trazendo à baila… mais do mesmo. Soa a embirração, embora entenda perfeitamente (e concorde) com o teu ponto de vista.

  4. Não comento em termos de contrapor argumentos e escalpelizar o que é dito. O “mesmo” não pode ser esquecido! Será embirração ou é melhor ignorar? O perigo de uma mentira interminavelmente repetida se tornar “verdade” parece-me bem mais preocupante. Decerto entenderás a validade da minha constante “embirração”.

    Nota: Quando o David “atacou” o Fábio, muitos apontaram que era uma opinião que “puxava a brasa à sua sardinha”. Pois bem! Eu não escrevo! 😉

  5. Thanatos diz:

    Esses comentários acerca da brasa e da sardinha é que serão, no mínimo, ridículos. Isto porque quem ler o Soares e o Ventura notará que entre eles, pura e simplesmente, não há pontos de contacto. Não imagino sequer sobreposição do universo de leitores de um no outro.

  6. Mas agora não é isso que está em causa, certo?

  7. Creio que se vamos por aí o único modo de “limpar essa imagem” é educar as pessoas, apresentando-lhes autores que contrariem essas ideias pré-concebidas.

    Verdade, não é isso que se está a debater, mas parece-me um ponto relevante.

  8. Thanatos diz:

    O problema, a meu ver, é que, por mais que se queira, a Fantasia enfrenta o mesmo estigma da banda desenhada, a saber, a percepção por quem pouca inclinação tem ao género de pensar que é área exclusivamente infanto-juvenil. Aliás, conheço quem pense que escrever livros infantis também se faz com uma perna às costas. Nada de mais errado. Ou seja nem a Fantasia é exclusivamente infanto-juvenil e por achega fácil de produzir e digerir, nem a literatura infantil é tão básica quanto isso.
    Para quem navega noutros mares (e estou a pensar em quem lê maioritariamente o mal-afamado mainstream) é sempre com algum desdém que qualifica as coisas por níveis de intelectualidade. Aliás os próprios cultores do género também, alguns, parecem ter algum complexo de inferioridade dadas as inúmeras vezes que se insurgem contra “a falta de reconhecimento” como se a validação dos académicos fosse muito importante. Isto é um reflexo da geração baby-boomer que gostava de comics, rock, sci-fi etc ao mesmo tempo que frequentava a faculdade e de certa forma tentou e ainda tenta mostrar como os seus gostos se elevam acima do comum dos analfabetos. Daí coisas como a música indie/alternativa ou o slipstream, ficção especulativa.

  9. Ricardo diz:

    Bom, nao gosto de remexer em coisas cristalizadas, mas o Joao Seixas fez questao de ir rebuscar isto ontem e daí para cá já me fartei de ler opinioes e tenho lido muito poucas sugestoes!

    Acho que as afirmaçoes do Fábio nao ferem o género, porque o género existe para organizar livros nas prateleiras. O que pode, ou nao, haver é livros bem ou mal escritos. Literatura de fórmulas é o pao nosso de cada dia para o leitor anglo-saxónico, portanto que alguém se queira lançar por esse meio, nao só nao choca, como eu diria que acontece frequentemente. Até há os que fazem disso uma carreira!

    O que há é uma preocupaçao, por parte de quem critica, de se focar mais na qualidade da escrita e aqui, aqui reside a fantástica questao: como é possível chegarem às prateleiras obras mal escritas? Já nem vou abordar o facto de os temas serem notoriamente fan fiction, já a li e de qualidade e já deixei livros a menos de meio…

    Se há alguém que, na minha opiniao (e isto é a opiniao que gosta de ler, nao de um apreciador particular de um género) está a minorizar o género, sao os editores e nao os autores, mas contra estes nao vejo mobilizaçoes do Círculo Fantástico, nem levantamentos e linchamentos.

    Como diz o Thanatos, o estigma é como o da BD, mas ninguém questiona que, apelando a um público jovem, obras como O Senhor dos Anéis e A Zaragata (Astérix) agradam muito mais a um público adulto.

  10. O problema do João Seixas é que mistura alhos com bugalhos e perde assim muita credibilidade no assunto e nos argumentos.

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