A Hora Da Loba – A Prepotência do Nada


 

Dou por mim a esquadrinhar a internet na procura de críticas  a determinados livros que por aí se vendem. O que encontro? Nada! Ou então futilidades como estas numa lista dos melhores e piores livros da década:

“O primeiro livro que me emocionou realmente.”

“Acho as duas histórias lindíssimas e confesso que mantenho algum fascínio pelos Mr. Darcy e Mr. Rochester.”

“O que posso dizer?”

“Todas aquelas mortes de personagens tão queridas, que, talvez por ter crescido com elas, são quase como verdadeiros amigos que eu tinha.”

“o que leva a que muita gente muitas vezes subestimem o qualidade), mas pela própria originalidade da história e pelo visível amadurecimento da escrita ao longo da história.” WT????

“A única piada do livro é ser tão estúpido”

“É pior que um livro de História daquela mesmo aborrecida.”

Mas atenção que o título deste post já é em si uma pérola:

Melhores Livros da Década E Vá Lá, Do Ano

Percebem? É tipo os melhores livros do Mundo e também da Europa! LOL – desculpem, não resisti!

Nesse mesmo blog temos ainda sinopses como esta:

“Este é o segundo livro ( Conflito e Retaliação ) da Colecção Redenção de Maria Fátima Soares, uma saga sobre anjos (que por acaso estão agora na moda, mas que surgiram antes de esta começar) e que nos fala da relação entre um anjo negro e uma humana, com muitos outros anjos bons e maus à mistura.”

E críticas de uma profundidade imensamente intelectual…

“Como a história acaba por ser bastante semelhante à do primeiro livro vou fundamentar a minha crítica essencialmente nos aspectos positivos e negativos do livro”

E depois há aqueles livros tão rápidos que parecem voar das nossas mãos:

“Como a história deste se livro ( Os Segredos de O Imortal ) se passa em pouco mais de 48 horas, também não há muito mais a dizer sobre ele, apenas que o gostei mais deste e que o achei mais interessante, prendendo-me mais a atenção.”

Estou em crer que a culpa sempre foi dos ansiões!

“os antigos ansiões de volta ao poder, contudo Josh conseguiu arrancar as duas últimas páginas do Códex, que são exactamente as que contêm a Evocação Final, necessária aos fins de Dee. O que posso eu dizer mais sobre este livro? Não é que a história seja algo demais, que o livro seja extremamente empolgante ou assim.”

Pronto, pronto! Fico-me por aqui! Mesmo sendo “loba”, não sou assim tão má.  Tudo isto serve apenas para demonstrar a quase ausência de crítica fundamentada (que vá além do “amei”, “adorei”, “és o maior”, “és mesmo bom”, etc) de certa e determinada literatura. Adoraria ver argumentos inteligentes, consistentes e fundamentados, algo que se pudesse debater, desenvolver ou rebater mas tudo o que encontro são estes “likes”. Há por aí autores de grande “sucesso” sem uma única crítica/análise com princípio, meio e fim. Acham que isso é bom para esses autores? Não! E é um péssimo serviço para a literatura! Aliás, certos autores quase não falam do que escreveram/escrevem, não referem influências, não dissecam os seus temas, limitando-se a uma espécie promoção egotista do género “Elite Model Look” e a retribuir com beijinhos e abracinhos os tais “likes” rasos e infantilóides.

Também acho “piada” à obsessão de alguns autores vincarem a sua prematuridade em termos de escrita:  Quero ser escritora desde os 7 anos, escrevo livros para mim desde os 9 anos e escrevi DONZELA SAGRADA aos 16 anos”. ( Diana Tavares ) É suposto isto impressionar alguém?! Ou serve para uma melhor identificação com o público alvo? Acham que Tolkien escreveu LotR aos 15/16/17 anos, idade em que muitos adolescentes ainda aprendem a escrever? – na actualidade temos de colocar muitas dúvidas na efectividade desse processo, mesmo nessas idades! Parece-vos que é só uma questão de natural e precoce genialidade? Lovecraft só publicou aos 33 anos! Esquecem que escrever é uma arte que também se apura com o tempo, com a experiência? Esquecem que a escrita vai sendo enriquecida por influências e vivências que só o tempo pode alargar? Eu sei que Logan P. Smith afirmou que Every author, however modest, keeps a most outrageous vanity chained like a madman in the padded cell of his breast. A vaidade pode não ser pecado, mas exige trabalho para não ser apenas um reflexo oco.

Felizmente há excepções para tudo o que afirmei. Mas deviam haver mais.

 

Venham agora os furiosos bárbaros, que há flechas e azeite a ferver para todos! 🙂

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10 respostas a A Hora Da Loba – A Prepotência do Nada

  1. desde que um queixinhas mal-humorado foi ao tumblr pedir para encerrar o bela lugosi is brain dead que não se via algo assim. olhando as coisas pelo lado positivo, todavia, podemos sempre reabrir com outro nome, como o cantinho das tretas, tendo material garantido até à data do apocalipse.

  2. Thanatos diz:

    Espera aí! Mas fecharam mesmo o Bela Lugosi is Brain Dead? Tentei aceder agora e dá page not found. Confesso que via pelo Memórias da FC o widget com o post mais recente e não visitava mesmo o blogue. Mas se fecharam é uma pena. Dava para dar umas gargalhadas, e talvez ensinar algumas pessoas a escrever corretamente.

    Ou então tive azar hoje e é uma quebra momentânea.

  3. bela lugosi diz:

    caro thanatos, não se trata de quebra momentânea, como atesta o aviso que recebemos e citamos em parte: Your Tumblr account has been suspended. As per the policies you agreed to when creating a Tumblr account, we do not allow copyright violation or harassment (http://belalugosiisdead.blogspot.com/) on Tumblr. não procurámos apelar da decisão do tumblr dada a burocracia que o processo implica. embora o bela lugosi is brain dead estivesse ao abrigo da utilização livre contemplada nas legislações portuguesa e norte-americana, foi mais conveniente reabrir o blog num serviço da concorrência.

  4. thanatos diz:

    É pena porque também uso o tumblr e nao tinha ideia que cedessem a queixinhas.

    Assim sendo vou googlar o novo poiso porque nao prescindo da boa disposiçao e num país em que se privilegia a mediocridade é importante seguir os lúcidos

  5. É mesmo de ir às lágrimas! E já agora quem foi o queixinhas? Alguém sabe?

  6. Sobre o texto acima, é de referir que os comentários do Ventura são também um luxo.

    Já sobre o começarem a escrever no berço e aprenderem a ler sozinhos, isso hoje é o que mais temos e depois somos “premiados” com obras de uma mediocridade impensável.

    Felizmente temos as excepções!

  7. Também não sabia que o Bela Lugosi is Brain Dead tinha sido encerrado.

  8. “Também acho “piada” à obsessão de alguns autores vincarem a sua prematuridade em termos de escrita: “Quero ser escritora desde os 7 anos, escrevo livros para mim desde os 9 anos e escrevi DONZELA SAGRADA aos 16 anos”. ( Diana Tavares ) É suposto isto impressionar alguém?! Ou serve para uma melhor identificação com o público alvo? Acham que Tolkien escreveu LotR aos 15/16/17 anos, idade em que muitos adolescentes ainda aprendem a escrever? – na actualidade temos de colocar muitas dúvidas na efectividade desse processo, mesmo nessas idades! Parece-vos que é só uma questão de natural e precoce genialidade? Lovecraft só publicou aos 33 anos!”

    Esquece, já ando a travar esta batalha à muito! É chover no molhado! Se disseres que queres publicar aos 30 mandam-te “rage attacks”… parece que hoje em dia quanto mais jovem, melhor é e o resultado está à vista – muitos livros são copy paste uns dos outros… mas enfim só querem ver os livros nas estantes da FNAC… o resto é treta!

    • ubik diz:

      Correndo o risco de levar com flechas e azeite a ferver, e porque não tenho blog, permita-me um pequeno momento bloguista inédito(?), aqui no seu blog.
      A minha lista de toda a vida:
      -Melhor História: “O Fim Da História”.
      -LIvro Que Mudou a Minha Vida: Foi Um.Mas Outro Repô-la Exactamente Onde Estava Antes Da Mudança A Ter Mudado.
      -Livro Que Mais Me Tocou:Nenhum. Não deixo.Só de Imaginar Aquelas Mãos De Sebenta…
      -Livro Que Mais Me Surpreendeu:Todos, sem dúvida.Mas Nenhum o Conseguiu, na Realidade.
      -Melhor História de Amor:”A Melhor História de Amor”.Volume 16.
      -Melhor História Nacional:Penso que foram Duas.Ou Três.Quatro?Não, foram Cinco.Seis, Tenho Mesmo A Certeza.Não, Foram…
      -Melhor Des Coberta:Sem Dúvida. Sem Nada, Mesmo.
      -Livro “Mais Sem Pés Nem Cabeça”:Precisamente o Livro “Menos Com Pés e Cabeça”
      -Livro Mais Aborrecido:Não Encontrei Nenhum.Eram Todos.

      Obrigada por este momento trágico.

      • Pensei que ia rematar com uma tirada em que confessava nunca ter lido um único livro.

        Não percebi muito bem o objectivo, caso haja um, mas obrigado pelo momento trágico.

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