O Filho de Odin…


( capa alternativa adequada à qualidade da “coisa” em questão )

Sei que este blog é essencialmente dedicado a livros, mas vou abrir uma excepção para algo num patamar que raia o inclassificável. A “coisa” (desculpa Carpenter mas o decoro levou-me a este eufemismo) chama-se O Filho de Odin e a pessoa que teve a triste ideia de o escrever com quinze anos dá pelo nome de João Zuzarte Reis Piedade. Um nome a reter pelas mesmas razões que nos levam a recordar coisas como Antraz ou Sarin.

Ponto um: a idade não é desculpa. A edição não é de autor. A falta de consciência num indivíduo é um defeito grave, haver quem amplifique essa falha de personalidade gera quase sempre uma ocorrência desastrosa. Neste caso, os “amplificadores” foram “apenas” uma das mais conhecidas editoras portuguesas. É escandaloso que haja quem publique uma “coisa” destas. É imoral que este cagunço tenha um livro publicado, quando tantos outros não o conseguem fazer, tendo mais talento – o que não é nada difícil. Complicado será o oposto…

Como é que ele conseguiu tal façanha? Bem, até na literatura o compadrio (a vulgar cunha) consegue o impensável. O rapaz (no meu tempo chamado de “beto”) tem uma família influente… Conseguiu até ter na contra-capa comentários de individualidades como Ruy de Carvalho – estaria de posse das suas faculdades mentais? Uma coisa é certa, depois de ter gabado este livro, Ruy de Carvalho comprometeu a sua imagem de pessoa inteligente e lúcida. Depois disto, julgo que só terá competência moral para comentar talões de hipermercado. E tudo são facilidades para o petulante (afirma que a sua redacção da primária ainda será argumento de um filme!!!!) rapaz que consegue uma divulgação mediática à custa dos amiguinhos da família. Vergonhoso! Mas sei que em Portugal esta esperteza saloia é um tipo de excepção tão vulgar que acaba por se tornar regra…

No que concerne à escrita, só posso imaginar que o rapaz ainda estará retido na quarta classe (estou a ser optimista) e que todos os revisores da Gailivro deviam estar de férias – esta conjectura é apenas para me serenar. No que diz respeito ao enredo, vou usar as próprias palavras do garatujador (não consigo usar a palavra escritor, mesmo que quisesse): ‘No meu livro, elevo a magia a níveis não infantis. No meu livro não há varinhas e pode-se usar a magia através das mãos e das armas [magia ‘hardcore’]. É um ‘Dragonball’ mais abusado.’. Ah! Então pronto! Sendo assim, “abusado”, “hardcore” e “elevado” ao estilo Dragonball, será certamente uma coisa adulta e original! Na verdade, a “coisa” é uma ilógica sarrabulhada de arquétipos da Fantasia e dos jogos de beat ‘em up. Há de tudo: plágios, personagens com a profundidade intelectual de uma bactéria (ou menos), erros ortográficos, incongruências, erros históricos, disparates irracionais, etc. A lista é longa! Comparada com isto, a bula da Aspirina é uma obra-prima da literatura!

 Um narcisismo pueril, aliado a uma total inconsciência e a referências como anime e videojogos acaba por resultar nesta “pérola”. Estritamente recomendada a quem se conseguir rir de desgraças alheias ou pretenda mergulhar num profundo estado traumático. Uma coisa é certa: a literatura nacional não necessitava de tal tumor.

O rabiscador teve ainda a lata de pedir às empresas de videojogos para não copiarem as suas ideias. Sim, é verdade! Será o efeito de algum cogumelo fora de validade?

O único aspecto positivo acaba por ser a capa do Pedro Pires. A locução latina margaritas ante porcos aplica-se aqui numa sublime perfeição.

Obrigado Gailivro por mais uma vergonha para a literatura portuguesa! Penso sinceramente que a editora devia ser processada por danos gravosos contra a literatura e por crime ecológico, visto terem sido abatidas árvores para que tal aberração fosse publicada. E saber que haverão mais “coisas” destas?

The horror, the horror!

 

 

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6 respostas a O Filho de Odin…

  1. Thanatos diz:

    Gosto da capa alternativa.

    E agora a sério, foste perder tempo com isto quando toda a gente sabe do que se trata? Foi masoquismo ou perdeste uma aposta?

    Quanto às cunhas. Eu até nem sou contra esse sistema desde que ele promovesse o mérito. Ou seja, por vezes, pode acontecer que até haja bons escritores que por uma razão ou outra precisam dum «empurrão» para surgirem. E porque raios seria preciso o empurrão? Ora, simples, os editores de hoje vivem rodeados de cunhas e mal têem tempo para ler os manuscritos de quem não vem «recomendado». Se é que os lêem sequer. Corre por aí uma história duma carta de rejeição que uma autora recebeu. Uma carta muito simpática por sinal e encorajante para a jovem autora… não fosse o caso de não ter nada a ver com o manuscrito que ela enviou para apreciação. Chapa cinco, percebem?

    • O dia corre mal e depois damos por nós a ter pensamentos destes, envolvendo estas coisas.

      O problema das cunhas é que raramente promovem o mérito, muito pelo contrário.

      Chapa cinco, então!

  2. “O problema das cunhas é que raramente promovem o mérito, muito pelo contrário.” Não podia concordar mais!

    Já sabemos que em Portugal (e também lá fora, não me lixem) o compadrio é a regra, não a excepção, mas situações destas ficam sempre entaladas na garganta, particularmente aqueles que tentam singrar sem cunhas…

  3. A “cunha” existe em todo o lado, mas em Portugal é quase uma instituição. A cunha é, na maioria das vezes, a oportunidade e mérito dos incapazes.

  4. Iania diz:

    Como papel para forrar gavetas, esse livro é muito caro. Sic transit gloria mundi.

  5. lurdes diz:

    Nunca li, nem tive vontade de o fazer.

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